Compartilhando

13 de outubro de 2013

Assim Vivemos – em DVD

Filed under: acessibilidade,assim vivemos,dvd,inclusão,pessoas com deficiência — vergaranunes @ 14:08
O Festival Assim Vivemos marca a história da audiodescrição no Brasil e é referência em inclusão e acessibilidade cultural. Além disso, sem dúvida, é um espaço reconhecido para além da discussão sobre as pessoas com deficiência, é um espaço para protagonismo dessas pessoas no mundo. Agora o Festival quer ir além de suas sessões “fechadas”, quer poder chegar às mãos de todos os que não somente acreditam no projeto, mas acreditam nessas pessoas também, os que querem fazer alguma diferença neste mundo. Eu contribuí com R$ 50,00. Por que digo isto? Por duas razões: primeiro, porque sei que é pouco, mas foi o que eu podia contribuir neste momento. Segundo, porque sendo pouco, pode somar-se à contribuição de outros que podem doar somente um pouco, a juntos fazermos esse sonho virar realidade: Assim Vivemos em DVD, nas suas mãos.

elton
Caros amigos

É com grande alegria que anunciamos que está no ar o projeto do primeiro DVD de filmes do Festival Assim Vivemos para captação de apoios. Colocamos o projeto em uma plataforma de financiamento coletivo, chamada Catarse, que administra e organiza as doações. Apenas se alcançarmos o valor total orçado é que receberemos a verba para a produção do DVD. Se não, todas as contribuições serão devolvidas para os apoiadores.


Temos apenas 60 dias para conseguir atingir a meta. Por isso, precisamos de muita ajuda para que todos os interessados em filmes sobre pessoas com deficiência saibam desse meio de compra/contribuição/apoio para a realização do projeto.


Dessa vez, o projeto é um produto, o próprio DVD, e a intenção é comercializá-lo regularmente. E todos os interessados poderão se beneficiar, adquirindo-o antecipadamente ou dando um apoio maior, para ter a logo de sua instituição ligada ao produto.


Vejam no link abaixo todos os detalhes do DVD Assim Vivemos.

www.catarse.me/assimvivemos

Se conseguirmos o financiamento através da plataforma Catarse, faremos outros DVDs na sequência.


Contamos com vocês!


E para os que estão em São Paulo, lembramos que na próxima quarta-feira começa o Festival Assim Vivemos no CCBB SP.

Informações sobre o festival no site www.assimvivemos.com.br


Abraços,

Lara Pozzobon e equipe Assim Vivemos.

4 de setembro de 2013

Educação Inclusiva e Tecnologia Assistiva

Parabéns ao professor Teófilo Galvão pelo exemplo de compartilhamento do conhecimento e de inclusão.
elton

Alguns livros e pesquisas sobre Educação Inclusiva e sobre Tecnologia Assistiva para download gratuito

  “O PROFESSOR E A EDUCAÇÃO INCLUSIVA: FORMAÇÃO, PRÁTICAS E LUGARES”
MIRANDA, T. G.; GALVÃO FILHO, T. A. (Org.) O professor e a educação inclusiva: formação, práticas e lugares. Salvador: EDUFBA, 491 p., 2012.

 
“PESQUISA NACIONAL DE TECNOLOGIA ASSISTIVA”
GALVÃO FILHO, T. A., GARCIA, J. C. D. Pesquisa Nacional de Tecnologia Assistiva. São Paulo: Instituto de Tecnologia Social – ITS BRASIL e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação – MCTI/SECIS, 68 p., 2012.

“AS TECNOLOGIAS NAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS INCLUSIVAS”
GIROTO, C. R. M.; POKER, R. B.; OMOTE, S.. (Org.). As tecnologias nas práticas pedagógicas inclusivas. Marília/SP: Cultura Acadêmica, 2012.

“EDUCAÇÃO INCLUSIVA, DEFICIÊNCIA E CONTEXTO SOCIAL: QUESTÕES CONTEMPORÂNEAS”
GALVÃO, N. C. S. S.; MIRANDA, T. G.; BORDAS, M. A.; DIAZ, F. Educação Inclusiva, deficiência e contexto social: questões contemporâneas. Salvador: EDUFBA, 354 p., 2009.

“ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA NO ENSINO SUPERIOR”
PIMENTEL, S. C. (Org.). Estudantes com deficiência no ensino superior: construindo caminhos para desconstrução de barreiras. Cruz das Almas-Ba: NUPI/PROGRAD/UFRB, 2013.

“TECNOLOGIA ASSISTIVA”
COMITÊ DE AJUDAS TÉCNICAS/SDH/PR. Tecnologia Assistiva. Brasília: CAT/SDH/PR, 138 p., 2009.

“TECNOLOGIA ASSISTIVA PARA UMA ESCOLA INCLUSIVA: APROPRIAÇÃO, DEMANDAS E PERSPECTIVAS”
GALVÃO FILHO, T. A.. Tecnologia Assistiva para uma escola inclusiva: apropriação, demandas e perspectivas. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2009.

“TECNOLOGÍA ASISTIVA EN ENTORNO INFORMÁTICO: RECURSOS PARA LA AUTONOMÍA E INCLUSIÓN SOCIOINFORMÁTICA DE LA PERSONA CON DISCAPACIDAD”
GALVÃO FILHO, T. A.; DAMASCENO, L. L. Tecnología Asistiva en entorno informático: recursos para la autonomía e inclusión socioinformática de la persona con discapacidad. Madrid: Real Patronato sobre Discapacidad – Ministerio de Trabajo y Asuntos Sociales, 2008.

“TECNOLOGIA ASSISTIVA NAS ESCOLAS: RECURSOS BÁSICOS DE ACESSIBILIDADE SÓCIO-DIGITAL PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA”
Instituto de Tecnologia Social – ITS BRASIL (Org.). Tecnologia Assistiva nas escolas: recursos básicos de acessibilidade sócio-digital para pessoas com deficiência. São Paulo: ITS BRASIL, 62 p., 2008.

“INCLUSÃO DIGITAL E SOCIAL DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA”
GALVÃO FILHO, T. A.; HAZARD, D.; REZENDE, A. L. A. Inclusão digital e social de pessoas com deficiência. Brasília: UNESCO, 72 p., 2007.

  “AMBIENTES COMPUTACIONAIS E TELEMÁTICOS NO DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS PEDAGÓGICOS COM ALUNOS COM PARALISIA CEREBRAL”
GALVÃO FILHO, T. A. Ambientes computacionais e telemáticos no desenvolvimento de projetos pedagógicos com alunos com paralisia cerebral. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2004.


www.galvaofilho.net

3 de julho de 2013

Homenagem a Marco antônio de Queiroz – MAQ

Disponível em http://youtu.be/Hpa3kYKtZIA


Por que partem, tão prematuramente, amigos queridos?

Partem sem avisar, sem se despedir, e nos deixam órfãos e perplexos, aturdidos com a dureza da separação.

Marco Antônio de Queiroz, MAQ, como gosta de ser chamado, é autor do livro “Sopro no corpo: vive-se de sonhos”, com quatro edições em sua primeira versão, de 1986, e edição complementar, em 2005, atualizadora.

Prefacista do livro “Inclusão escolar: à flor da pele”, de Rose Reis de Souza, UNIP, 2010.

Criador do site “Bengala Legal”, ganhador do Prêmio Todos@Web, categoria “Instituição e Personalidade Web”, organizado pelo W3C Brasil, CGI Brasil – Comitê Gestor da Internet, junho de 2012.

Voto de Louvor da Câmara dos Deputados Federal, por seu trabalho em acessibilidade web, encaminhado pela deputada Rosinha da Adefal e atendida e realizada pelo deputado Marco Maia, presidente da Câmara dos Deputados em julho de 2012.

Com intensa participação no movimento da audiodescrição no Brasil, MAQ foi o primeiro jurado com deficiência visual do Festival de Cinema Internacional Assim Vivemos, coordenado pela Lavoro Produções, em 2007, festival em que todos os filmes são audiodescritos.

Prefacista do livro “Audiodescrição: transformando imagens em palavras”, de Lívia Motta e Paulo Romeu Filho, 2010.

Em 2008, foi aclamado “Embaixador da Audiodescrição no Brasil” pelos participantes do 1º Encontro Nacional de Audiodescritores.

Pioneiro na luta e divulgação desse recurso ainda recente, rio e festejou todos os avanços conquistados, chorou todos os tropeços, sempre confiante no sucesso dessa causa.

Texto de Lívia Motta e Paulo Romeu. Narração de Lúcia Maria.

28 de junho de 2013

Tratado de Marrakesh, alguém falando do que se trata

Compartilho com vocês uma denúncia de uma pessoa que sabe sobre o que está falando.

elton

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Bom, ao menos a Folha, nesse artigo minúsculo que colo abaixo, está trazendo alguma coisa sobre o que se trata o tal tratado internacional de Marrakesh, pois até agora por aqui só rolaram comemorações efusivas e suspeitas de instituições que desejam tanto a autonomia e independência da leitura para as pessoas cegas no Brasil tanto quanto os mensaleiros do Congresso Nacional devem desejam uma justiça rápida, ágil e forte.
Mas agora, com essa pequena luz dada sobre o assunto, podemos perceber do que se trata o tal engodo. Na verdade, uma proposta feita por Brasil, Equador e Paraguai, de estender a isenção da Lei dos Direitos Autorais que temos no Brasil e mais outros 46 países, para os outros países envolvidos no acordo, ou seja, uma bela e redundante mesmice.
Vejamos: A Lei de Direitos Autorais no Brasil já prevê desde 1998, em seu artigo 46, Inciso I, alínea d, a possibilidade de reprodução de obras em formato braile, entre outros, desde que seja por instituições “sem fins lucrativos” (eu coloquei sem fins lucrativos entre parêntesis, ok?).
E com isso, todos nós sabemos como vai o acesso aos livros pelas pessoas cegas no Brasil, uma lástima, um atraso abissal, um zero a esquerda, pois podemos ler apenas aquilo que os “donos dos cegos” produzem, um índice de leitura igualável apenas aos dos homens da Idade Média, que podiam ler somente os livros que os religiosos, donos do saber de Deus, permitiam.
Pessoas cegas no Brasil não podem comprar livros acessíveis em livrarias, sebos, bookstores, como qualquer outra pessoa. Pessoas cegas no Brasil precisam esmolar livros em instituições, precisam se humilhar diante dessas instituições apresentando documentos, declarações, atestados assinados em cartórios, precisam ser registrados, catalogados, rotulados, se quiserem ganhar um livrinho após um ou mais anos na fila de espera.
E tudo isso reforçado por uma lei atrasada, retrógrada, que prevê apenas a exceção, a gratuidade, o donativo, a esmola, sem estimular, sem promover, sem proporcionar com que o mercado editorial possa fazer a regra, fazer para as pessoas cegas o mesmo que faz para o restante dos leitores não cegos, ou seja, ter lucro, poder vender livros em formatos acessíveis para aqueles que não precisam da caridade assistencial.
E aos ceguinhos incautos, que por essas listas da internet estão comemorando e que não conhecem a tal organização de cegos, organização que defende a continuidade daquilo que já existe, isto é, a pessoa cega dependente da leitura que uma fundação para cegos em São Paulo produz, eu expresso o mais profundo voto de pesar; meus pêsames amigos.
A propósito, sabem quando vocês terão direito de ler o livro que quiserem, no momento que desejarem ou que precisarem para seus estudos, lazer, trabalho, desenvolvimento pessoal e intelectual? Quando a tal organização de cegos que defende os interesses da tal fundação para cegos de São Paulo quiser!
E nós, brasileiros, continuamos a espera de conhecermos o conteúdo de um texto que está sendo discutido há cinco anos, que define rumos para nossa vida enquanto leitores, e que até agora desconhecemos totalmente.
Fiquem com o pequeno artigo da folha de São Paulo de hoje (28/6/2013):
Brasil assina tratado que libera cobrança de livros em braile
DE SÃO PAULO – Deve ser assinado hoje em Marrakesh, no Marrocos, um tratado internacional que isenta as obras vertidas ao braile de pagar direitos autorais. A proposta, baseada na lei brasileira e nas de outros 46 países, foi apresentada por Brasil, Equador e Paraguai.
O ato faz parte de uma conferência da Organização Mundial da Propriedade Intelectual, formada por 186 países, iniciada no último dia 17. A ministra da Cultura, Marta Suplicy, representa o país no evento.
Para ser aprovado, o tratado precisa de 20 assinaturas — a serem ratificadas em seus próprios países. Estima-se que menos de 5% das obras estejam em formato acessível.
.
Abs.
Naziberto Lopes
MOLLA – Movimento pelo Livro e Leitura Acessíveis no Brasil

(Reproduzido aqui com autorização do autor.)

11 de maio de 2013

Novo instrumento reduz tempo de aprendizado de braille

Comecei a aprender braile no final do ano passado em um curso que encerrou no começo deste ano de 2013. Comecei minha aprendizagem com o método tradicional, tendo que memorizar os pontos tanto da leitura como os pontos espelhados, usados para a escritura do braile. Quando comecei minha busca na internet para comprar minha própria reglete, descobri a reglete positiva. Fiz contato com a empresa, e tive o privilégio de conhecer a Aline Picolli Otalara. A Aline mostrou-se uma pessoa acessível, de fácil contato, inteligente, aberta. Como eu costumo dizer “gente fina pra caramba”. Trocamos muitas ideias, discutimos soluções de acessibilidade e de inclusão de pessoas que enxergam no mundo das pessoas cegas (sim, precisamos de inclusão por todas as partes). Adquiri minha reglete positiva, o que facilitou minha aprendizagem do braile, já que me poupa tempo e memória. Parabéns e obrigado à Aline e a sua equipe. Compartilho abaixo uma notícia sobre esse invento da Aline.


Desenvolvido por empresa apoiada pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP, objeto facilita a escrita e a leitura em braille (divulgação)


10/05/2013 – Por Elton Alisson

Agência FAPESP – A empresa Tece, fundada por uma bióloga que fez mestrado em Educação e atualmente realiza doutorado na Universidade Estadual Paulista (Unesp), desenvolveu uma nova versão de um instrumento de escrita manual para deficientes visuais – chamado reglete positiva – que diminui em 60% o tempo de aprendizado do sistema de escrita e leitura braille.

Apoiada pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), da FAPESP, a empresa já iniciou a comercialização do produto no Brasil e tem planos de exportá-lo.

“Ao todo, o processo de desenvolvimento do produto e de testes em instituições que atendem pessoas com deficiência visual levou seis anos”, disse Aline Picolli Otalara, fundadora da empresa, à Agência FAPESP.

De acordo com a pesquisadora, a reglete convencional existe desde 1837, quando o francês Louis Braille (1809-1852) apresentou a primeira versão do instrumento, composto por duas placas de metal ou plástico, do tamanho de pequenas réguas escolares, fixas uma na outra por meio de uma dobradiça na lateral esquerda e com um espaço entre elas para permitir a introdução de uma folha de papel.

A placa superior possui diversos retângulos vazados, correspondentes aos espaços de escrita em braille (denominadas celas braille). Já a placa inferior tem celas braille com seis pontos côncavos (em baixo relevo) em cada uma delas.

Ao introduzir um instrumento (chamado punção) com uma ponta côncava dentro de cada retângulo vazado da placa superior da reglete, pressiona-se a folha de papel entre as duas placas contra os pontos côncavos dispostos na placa inferior para formar o símbolo braille correspondente às letras, números ou qualquer outro caractere que se deseja escrever. Com a folha virada do lado contrário ao que foi inserida na reglete, os deficientes visuais conseguem identificar, por meio da leitura tátil, os pontos em relevo formados pela pressão exercida pela punção na folha de papel.

Um dos problemas apresentados por esse dispositivo convencional, no entanto, é que, em razão de os pontos serem escritos em baixo relevo e a leitura ser realizada em alto relevo, a escrita é iniciada do lado direito e os caracteres são escritos espelhados de modo que, quando a folha é virada para a leitura (realizada da esquerda para direita), os caracteres estejam do lado correto.

Além disso, no Sistema Braille diversas letras são o reflexo invertido de outras. “Isso gera um esforço maior de quem está aprendendo o sistema braille, porque ele tem de aprender um alfabeto para ler e outro para escrever”, afirmou Otalara.

A fim de solucionar o problema, em 2007, por meio de um projeto apoiado pelo PIPE, a empresa fundada pela pesquisadora desenvolveu uma reglete esteticamente similar ao instrumento convencional, que possibilita escrever os pontos já em alto relevo.

Para isso, ao contrário da reglete convencional, a placa inferior do instrumento possui os seis pontos em cada cela braille na forma convexa (em alto relevo). Para marcá-los, a Tece desenvolveu um instrumento de punção similar a uma caneta sem ponta e com concavidade fechada que, ao ser pressionado sobre a folha de papel entre as duas placas da reglete, forma os pontos já em alto relevo.

Dessa forma, o usuário pode começar a escrever da esquerda para a direita, porque não é necessário virar a folha para ler o que foi escrito. Além disso, precisa aprender um único alfabeto tanto para ler como para escrever em braille.

“Nós desenvolvemos ao longo do projeto diversos protótipos do produto para avaliar alguns problemas técnicos causados por essa inversão na escrita braille”, disse Otalara.

Desafios

Um desses problemas técnicos, segundo a pesquisadora, é que os seis pontos em cada cela braille são muito próximos uns dos outros. Ao marcar um ponto convexo com a punção com a cavidade fechada para fazer um símbolo braille já em alto relevo, se formava um ponto “fantasma” que gerava dificuldade de leitura pelos deficientes visuais.

Na primeira fase do projeto, os pesquisadores da empresa criaram diversos protótipos, com diferentes distâncias entre os pontos, e realizaram uma série de testes de leitura dos textos escritos com o novo instrumento.

“O surgimento desses ‘pontos fantasmas’ foi o fator que tinha impedido, até então, o desenvolvimento desse material”, disse Otalara. “Todas as tentativas anteriores de desenvolver uma reglete que já escreve em alto relevo fracassaram porque não conseguiram superar essa etapa”, afirmou.

Curso na Unesp

Por meio de outro projeto, também com apoio do PIPE, a empresa realizou um curso de Sistema Braille para avaliar o tempo de aprendizado dos participantes por meio da reglete que desenvolveram.

O curso foi realizado com alunos do curso de licenciatura em pedagogia da Unesp de Rio Claro porque, de acordo com Otalara, era difícil encontrar alunos com deficiência visual que ainda não tivessem tido contato com a reglete comum. Por outro lado, os estudantes de pedagogia representam o maior público usuário desse tipo de material.

“Há um número muito maior de professores aprendendo Sistema Braille do que, de fato, deficientes cegos”, estima a pesquisadora.

Os pesquisadores constataram que, com a reglete que desenvolveram, foi possível reduzir em 60% o tempo de aprendizado do Sistema Braille pelos futuros educadores. Com isso, de acordo com Otalara, é possível diminuir o investimento em formação de professores, facilitar o aprendizado e aumentar o interesse do público, em geral, em aprender o Sistema Braille.

“Há uma impressão muito negativa sobre o Sistema Braille. As pessoas já imaginam que é difícil aprender e, quando viam que tinham de aprender a escrever ao contrário, o estigma, principalmente por parte de professores e crianças, aumentava ainda mais”, disse Otalara.

O produto foi batizado pela empresa de “reglete positiva”, porque, no ensino de braille, os pontos em baixo relevo, que não aparecem no momento da escrita, são chamados pontos negativos. Já os pontos em alto relevo – legíveis e sensíveis ao toque com a folha virada do lado contrário ao que os pontos foram marcados pela punção escrita – são chamados de pontos positivos.

Máquina de escrever em braille

Alguns dos resultados do projeto da reglete positiva serão utilizados pela empresa para desenvolver, também com apoio do PIPE, uma máquina de escrever em braille.

Muito utilizado por pessoas com deficiência visual tanto em sala de aula como no mercado de trabalho, o equipamento é relativamente caro – custa em torno de R$ 2 mil –, ainda não há nenhum fabricado no Brasil e sofreu poucas variações desde que foi criado.

A empresa brasileira pretende desenvolver uma versão nacional do produto, torná-lo mais viável economicamente e melhorar alguns aspectos técnicos, como peso e design, para diminuir o esforço do usuário para manuseá-lo e transportá-lo.

Para desenvolver o protótipo, a empresa fez uma parceria com o Centro de Tecnologia da Informação (CTI) Renato Archer, de Campinas, que possui um centro de prototipagem e um laboratório de tecnologia assistiva.

As seis teclas correspondentes aos pontos braille e o material impresso pelo equipamento seguirão o padrão da reglete positiva desenvolvida pela empresa.

Apesar de ser um pouco maior do que o utilizado na escrita em braille em baixo relevo (negativa), o novo padrão facilita a leitura tátil.

“Como os pontos são um pouco mais ‘gordinhos’, eles são mais parecidos com o braille impresso em livros”, comparou Otalara. “Por isso, são mais fáceis de serem lidos por meio da leitura tátil”, afirmou.

O desenvolvimento da reglete positiva resultou em um pedido de patente, que está em processo de avaliação. O produto é vendido no site da empresa – que possui recursos de navegação para pessoas com deficiência visual – e em lojas especializadas.

Extraído de: http://agencia.fapesp.br/17250

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